30 de julho de 2009

Como neste últimos dias tenho andado a ouvir disto, aqui fica um dos mestres do jazz.

Herbie Hancock - Cantelope Island

Ai Katie Katie!!!

E hoje lembrei-me disto
















29 de julho de 2009

Os Meus Posters de Cinema V

Aleksandr Nevskiy de Sergei M. Eisenstein e Dmitri Vasilyev

La Guerre Du Feu (1981)

Um filme de Jean-Jacques Annaud











26 de julho de 2009

Mystery Train (1989)

Um filme de Jim Jarmusch




Mystery Train é daqueles filmes que se camuflam a eles próprios, daqueles filmes que se escondem numa simples história. Aqui temos três histórias, todas elas independentes mas ao mesmo tempo interligadas. Histórias que não se cruzam mas que se passam no mesmo hotel, ao mesmo tempo e oriundas do mesmo local. Jarmusch faz um filme cru, ao seu estilo. É sem dúvida um filme tipo, com planos sequência longos e narrativamente linear. A dada altura da fita dei comigo a pensar se Jarmusch não teria feito melhor se narrasse o filme de outra maneira, não tão linear. Mas no final percebi o porque de Jarmusch optar por essa linearidade, o porque de contar as três histórias uma de cada vez. E tudo se resume a um romanticismo que Jarmusch quer mostrar, a uma fuga satírica que Jarmusch quer, porque o cineasta podia ter explorado essa vertente mas remete-se a uma candura romantica que simplifica o filme. E Jarmusch é patriota, acredita no valor do povo americano e preocupa-se em cultivar a cultura do seu país, seja musical ou de outro tipo, e nota-se que o seu cinema é 100% americano mas que critica quando tem de criticar. Mas o mais importante neste "Mystery Train" é a metáfora do comboio. Porque o comboio faz aqui alusão aos personagens do filme, ao ocorrido, ao presente e futuro, como que a querer mostrar que a vida está sempre em andamento como o comboio. Foi o terceiro filme de Jarmusch e sem dúvida um dos melhores que vi dele.

23 de julho de 2009

Os Meus Posters de Cinema IV

Singin' In The Rain de Gene Kelly e Stanley Donen

20 de julho de 2009

Há poucos como este senhor!

Wim Mertens - We Are The Thieves

Unagi - A Enguia (1997)

Um filme de Shohei Imamura




Shohei Imamura sempre foi um dos mais polémicos cineastas japoneses. Os anos 50 e 60 foram muito férteis na sua carreira cinematográfica, o que fez dele um dos mais iconoclastas cineastas do Japão. E com este “Unagi”, Imamura conseguiu arrecadar a sua segunda Palma de Ouro de Cannes em conjunto com “Ta'm e Guilass (O Sabor da Cereja) ” de Abbas Kiarostami.
Imamura traz-nos com este “Unagi” uma história de reabilitação. O filme abre com Takuro Yamashita (Koji Yakusho) lendo uma carta que o alerta para a traição da mulher. Essa traição ocorreria sempre que ele fosse pescar. Nessa noite decide voltar mais cedo para casa e confirma o que as cartas diziam. Possuído pelo ciúme mata a mulher e entrega-se na esquadra. Na prisão encontra uma enguia e faz dela o seu refúgio, o seu animal de estimação. Ao sair, com a ajuda do seu agente de liberdade condicional, abre uma barbearia afastada do grande centro urbano e tenta reorganizar a vida. Mas entretanto conhece Keiko (Misa Shimizu) quando esta tenta o suicídio. Keiko vai-lhe fazer lembrar a mulher quando começa a trabalhar na barbearia e a relação entre os dois começa a crescer.

E o filme é isto. O argumento move-se à volta de uma reabilitação social, mas estendesse para o ciúme, para o isolamento interior, para o amor, para o arrependimento, para uma analogia entre a enguia e a culpa. E Yamashita vai criar uma prisão em liberdade, porque embora esteja em liberdade está preso pela culpa, não que se arrependa de o ter feito, mas porque foi um crime e pesa-lhe na consciência. E isso vai-o fazer sentir-se preso, incapaz de demonstrar que ama, incapaz de se soltar interiormente, de matar os remorsos. E a enguia figura aqui como o crime, a culpa que Yamashita tenta partilhar com o animal, a inferioridade quer sexual, quer espiritual que ele tenta adquirir para com a enguia. E a cena em que Yamashita sonha em frente ao aquário vendo-se dentro lado a lado com a enguia, numa pequenez desproporcionada, mostra claramente que Yamashita se considera inferior à enguia. Mas o animal escolhido também não é ao acaso, um animal de água, de pele viscosa e escorregadia, de forma semelhante à de uma serpente e de carne muito saborosa. A enguia simboliza a sua frustração sexual. Porque embora tenha matado a mulher, Yamashita relaciona a traição a uma hipotética má prestação no acto sexual que cria aí uma frustração sexual. E Yamashita tenta se inferiorizar, tenta viver com a culpa, com o amor, com a confiança que tarda em aceitar novamente. Tenta reabilitar-se. Tenta viver.
“Unagi” é daqueles filmes que chegam quase a ser uma obra-prima. É um filme belo, muito belo.

Um grande filme.