17 de outubro de 2009

Clean and Sober (1988)

Um filme de Glenn Gordon Caron






E continuamos no mesmo tema. No vício, na necessidade, na dependência. Mas "Clean and Sober" é um filme mais soft que "Leaving Las Vegas". É menos negro, menos dramático. É sobretudo menos pessimista mas completamente consciente da realidade, das consequências da droga e do álcool. E Keaton tem uma interpretação fenomenal. Olhando para o ano de 1988, e não inferiorizando "Rain Man", "Clean and Sober" merecia algum reconhecimento por parte da Academia de Hollywood. Mas infelizmente já sabemos como funciona Hollywood.

16 de outubro de 2009

Leaving Las Vegas (1995)

Um filme de Mike Figgis






"Leaving Las Vegas" é acima de tudo um exercício da necessidade, da carência. E é injusto dizer que "Leaving Las Vegas" é Cage e Shue e mais nada. Porque Figgis faz um trabalho espantoso de direcção. Principalmente a direcção dos actores que, realmente, são o grande trunfo do filme, o âmago desta história. Mas "Leaving Las Vegas" é mais que isso, é uma ruptura com a sociedade. É a reflexão da necessidade, do vício. E depois a tristeza que abunda do início ao fim, o ambiente negro e de dor, da vontade da reabilitação que recusa chegar, da rendição humana face ao domínio da necessidade, da fraqueza.

15 de outubro de 2009

No Quarto da Vanda (2000)

Um filme de Pedro Costa














Quando encontrou as Fontaínhas e aqueles com quem encontrou uma hipótese de família, como disse, filmar era devolver-lhes qualquer coisa...

Era dar-lhes o cinema. O cinema dá-lhes muitas coisas, só não lhes dá dinheiro, comigo...

Mas admite que a recepção aos seus filmes tem sido acompanhada pelo questionamento de uma suposta contradição: fazer da miséria um objecto artístico. Aceita isso?

Jamais, jamais. Comecei "O Quarto da Vanda" com a mesma energia, cegueira e ambição com que comecei "O Sangue". Tinha feito "Ossos" e "Casa de Lava" (1994), filmes de transição. Tinha-me preparado para saber se o filme era possível ou não. Sentia-me bem ali [nas Fontaínhas], via laços que se estavam a criar entre mim e pessoas, coisas, ideias. Tal como n' "O Sangue", lancei a minha própria ficção para lançar o "Quarto da Vanda". Uma noite, eu e a Vanda falámos sobre o que é que valia a pena fazer depois do "Ossos". Acho que isto é uma pequena ficção criada por mim. Lembro-me de ter dito: "Isto é demasiado cansativo, não estou para isto", e ela dizer-me: "Se calhar pode fazer-se de outra maneira, fica aí, há um quarto, há pessoas que gostam de ti, aparentemente gostas de estar cá, deves gostar de filmar cá, filma, mas arranja outra maneira". Isto foi uma pequena ficção para lançar o filme. E fiz o meu caminho nas Fontaínhas, completamente solitário, tive de aceitar coisas, tocar nas dificuldades, na moral que se põe quando se está num sítio daqueles, que é muito cru, extremado. E tive que fazer esse caminho. Isso era de facto contraditório, mas precisava de o resolver antes de começar a filmar.


Pedro Costa

14 de outubro de 2009

Patton (1970)

Um filme de Franklin J. Schaffner













13 de outubro de 2009

Gespenster (2005)

Um filme de Christian Petzold








Há algo comum em todas as personagens de “Gespenster”, algo que é inclusivamente comum nas películas de Petzold. E esse algo é a solidão. A solidão que assola quase todas as personagens do filme. A falta de afecto está bem presente em “Gespenster”.
Já alguém disse que “Fantasmas”, título português, é um filme seco. E compreendo perfeitamente o porquê disso. Os diálogos curtos, a fria relação entre os personagens, a peculiaridade dos movimentos e da narração assim o atestam. E basta ver os primeiros cinco minutos para perceber que é um filme seco, cru e sobretudo uma grande aposta nas expressões corporais dos personagens.
Depois, Petzold reflecte na perda, na dor da perda, no desespero. A perda de um filho, a incerteza da sua existência. Mas o cineasta alemão explora ainda a marginalidade, o amor e a homossexualidade. E a relação entre Nina e Toni é o espelho da frieza, da incomunicabilidade pessoal e da mentira. Até porque a marginalidade está sempre presente.
E “Gespenster” é acima de tudo um filme sobre a solidão, a falta de afecto. Muito bom.